“O Choro e o Instrumentista Estrangeiro” por João Tomas do Amaral

seg, ago 2, 2010

Vivendo o Choro

“O Choro e o Instrumentista Estrangeiro” por João Tomas do Amaral

“O Choro e o Instrumentista Estrangeiro”

João Tomas do Amaral

A música instrumental é rotulada como sendo elitista e por conseguinte possui pouca aceitação junto a uma parte expressiva da população. Neste contexto, o Choro, por ser um gênero essencialmente instrumental, em sua trajetória conviveu com os chamados “altos” e “baixos” quanto a sua aceitação junto ao nosso público apreciador da arte musical. Por outro lado, temos ainda, forte tendência, pelo menos em boa parte de nosso público, em valorizarmos a música com letra, bem como, a música estrangeira produzida em língua inglesa, não importando a sua origem, inclusive as de produção nacional. Certamente poucas pessoas conhecem a relação existente entre a música brasileira e o instrumentista e o público do exterior. Ressaltamos que principalmente o instrumentista tem grande interesse em nossa arte musical, seja na produção ou no virtuosismo de interpretação de nossos instrumentistas.

Lembramos que Chiquinha Gonzaga musicou peças de teatro em Portugal e o conjunto “Os Oito Batutas” comandados por Pixinguinha foram a Paris para tocar, certamente, choro e maxixe para o público francês. Heitor Villa – Lobos em 1927 levou aos franceses a sua coletânea de Choros e Serestas. Carmen Miranda, embora portuguesa de nascimento, levou aos americanos a música brasileira, apoiada no “Tico-Tico no Fubá” Choro do paulista Zequinha de Abreu. Waldir Azevedo com o seu “Delicado” propiciou a Orquestra de Percy Faith uma vendagem impressionante para época em todo o planeta com o disco DELICADO. Ary Barroso compôs AQUARELA DO BRASIL tornando-se uma das músicas brasileiras mais gravadas em todo mundo.

Um exemplo de que os instrumentistas de outros países possuem forte interesse pela música brasileira está no disco que apresentamos neste artigo. Esse disco, um 10 polegadas, da gravadora Capitol Records de Hollywood traz o pianista CHUY REYES AND BRAZILIANS sob o título “Samba”. A capa desse disco apresenta um casal dançando, onde os passos utilizados demonstram muita sensualidade e certa dose de erotismo , bem como, se apoia em cores alegres e o tradicional confeti. Quanto ao repertório, consta no Lado 1 as faixas , O MACACO SONHADOR de Laurindo de Almeida (violinista brasileiro que foi trabalhar nos Estados Unidos e faleceu em 1999), SAMBA SONATA de Reys, King e Schneider (como podemos observar, são autores, não brasileiros, compondo “samba”), MARA – CATU de Laurindo de Almeida e Chuy Reyes ( nesta faixa conta com erro de grafia para expressar o nosso MARACATU) e CAVAQUINHO de Ernesto Nazareth (aqui aparece erro no título do Choro, pois o correto é APANHEI-TE CAVAQUINHO). Esse disco, em seu lado 2, apresenta as músicas RECO-RECO de Laurindo de Almeida e Eddie Sanfranski, MARIA FROM BAHIA de Paul Misraki e Albert Gamse (autores não brasileiros compondo “samba”), BEM-TE-VI ATREVIDO de Lina Pesce (um dos Choros mais conhecidos dessa instrumentista e inspirada compositora paulistana, também já havia sido gravado pela organista ETHEL SMITH).

Observando o título do disco “SAMBA” e o seu repertório, constata-se pelo menos o equivoco quanto ao enquadramento dos clássicos choros Apanhei-te Cavaquinho e Bem-te-vi Atrevido como samba. Por outro lado, quanto ao fato dos autores estrangeiros, realizaram composições de samba, certamente é fruto do contato com Laurindo de Almeida e outros instrumentistas e compositores brasileiros.

O CHORO não é SAMBA, independente da confusão de análise quanto ao gênero, melodia e a interpretação por parte dos instrumentistas estrangeiros. O fato é que o samba nasceu a partir do Choro e devidamente amparado pelos chorões instrumentistas dos grupamentos de Choro.

Contamos com os Chorões de plantão!
Até a próxima!



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