“O Choro e o Registro Fonográfico” por João Tomas do Amaral

sex, jan 21, 2011

Vivendo o Choro

“O Choro e o Registro Fonográfico” por João Tomas do Amaral

O Choro e o Registro Fonográfico

João Tomas do Amaral

Ao longo da história do Brasil, certamente, vários fatos estão relatados de forma inconsistente ou até mesmo caíram no esquecimento por falta total de registro.

A histórica trajetória do choro, também, não escapa a essa constatação. O descuido e/ou o descaso para com a maioria dos interpretes e dos compositores de choro, tem se traduzido num ponto vulnerável dessa história mais do que centenária do choro, possibilitando que esses artistas continuem no anonimato. Atualmente, são poucos os que militaram ou que ainda militam no universo do choro, cujas obras e histórias são conhecidas do grande público.

Costumeiramente, a citação de que “o brasileiro é um povo que não tem memória” é propalada aos quatro cantos e em várias circunstâncias. Ressaltamos, a importância da divulgação de nossa produção em todos os setores da atividade brasileira. Isto, engloba de forma indiscutível os segmentos envolvidos com a cultura musical do choro. Porém, o choro tem sofrido insistentes atitudes de descaso com referência ao compromisso de registro efetivo de sua história, pelos menos no que tange as informações omitidas nos discos gravados.

Remexendo os discos de meu arquivo, localizei o LP do conjunto “Os Saudosistas”, gravado pelo selo RCA CAMDEN, subsidiário da RCA VICTOR, sob o número CALB-5081-A, com um repertório envolvendo clássicos do choro e dois registros, certamente, desconhecidos do grande público apreciador de choro. Esse disco é um bom exemplo de descaso para com a história do choro, pela falta de informações, usualmente descritas na contracapa e a falta de encarte, bem como, não consta o ano de sua gravação. Primeiramente, podemos citar a ausência dos nomes dos instrumentistas integrantes do conjunto “Os Saudosistas”. Por outro lado, informações sobre autores conhecidos e produtivos no movimento do choro como Lina Pesce, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Fon-Fon, Waldir Azevedo, Zequinha de Abreu, Otaviano Pitanga, Ernesto Nazareth, José Leocádio, Louro, João de Barro e os desconhecidos Pousa Godinho, Felipe Tedesco e Renaud.

O exemplo que se oferece com a edição do LP “Os Saudosistas”, principalmente por sua falta de informações históricas, viabiliza, a constatação de que “não temos memória”. Ressaltando, a importância do registro sonoro em disco de um repertório significativo do movimento do choro, mesclando na época de sua gravação, o clássico e o inédito.

Devemos trilhar caminhos consistentes para que o nosso povo tenha acesso às informações de sua arte e cultura, para produzir os resultados que certamente irão contrariar a falsa afirmação “de que somos um povo sem memória”.

Contamos com os chorões de plantão!!!



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2 Comentários para ““O Choro e o Registro Fonográfico” por João Tomas do Amaral”

  1. Marcello Laranja Says:

    Infelizmente, esse problema é cultural, é típico do Brasil, a falta de informação na maioria dos LPs gravados aqui é impressionante. O professor Ary Vasconcelos, certa feita, disse que se você pegar um LP ou um CD de qualquer cantor ou conjunto norte-americano, na contra-capa ou no encarte, terá todas as informações a respeito da gravação, os nomes de todos os músicos participantes, seus instrumentos, inclusive dia e hora em que foram gravados. A riq

  2. Carlos Dantas Says:

    Outro dia estava entrevistando um grupo de choro que tem em seu acervo 02 CDs. Num deles só constava o nome das músicas, que em sua maioria, era conhecida, mas não tinha indicação do autor. Até uma faixa que era de autoria de um dos integrantes do grupo não tinha esse registro. Avisei da importância, principalmente para a mídia. Parece que vivemos um “círculo vicioso”: Quem faz não põe a ficha técnica; quem interpreta não faz questão de ter seu nome; quem apresenta não lê; quem ouve, não se procura saber…


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